Etapa 1 — Curitiba
O BPR Brasil 1996 abriu sua primeira etapa em Curitiba com uma proposta diferente de tudo que a galera vinha vendo: duas categorias dividindo a mesma pista no mesmo grid. De um lado, a GT1, com McLaren F1 GTR '96 e Ferrari F40 GTE Evo; do outro, a GT2, com Dodge Viper GTS-R, Porsche 911 993 e Chevrolet Corvette C4R. Noventa voltas de prova, dezesseis pilotos na largada. Uma etapa única, pesada, e cheia de história pra contar.
No treino classificatório, a GT1 teve Rafael Iwata na pole, à frente de Juan Goncalez, Fabio Santos, Marcelo Jaime, Andre Lourenco, Raphael Souza e Rodrigo Jaime, fechando o grid da categoria. Já na GT2, quem cravou a pole foi Romain Francke, com Virgilio Bomfim, Fernando Carabette, Flavio Felicio, Ale Frare, Marcelo Temes, Ronnie Peterson, Douglas Carabette e Daniel Baiao completando o pelotão.
A corrida, porém, teve um final digno de filme. Rafael Iwata assumiu a ponta já na largada e praticamente sequestrou a liderança: foram setenta e sete das noventa voltas na frente, com a volta mais rápida e os três melhores setores do dia debaixo do braço. Só que faltando pouco mais de dez voltas pro fim, Juan Goncalez, que vinha pressionando lá atrás, finalmente encontrou a brecha e assumiu a ponta — e não devolveu mais. Goncalez venceu a corrida geral e a classe GT1 cravando a virada mais tardia que dá pra imaginar numa prova dessa duração, enquanto Iwata teve que se contentar com o segundo lugar depois de liderar praticamente a prova inteira.
Na GT2, a história foi de remontada. Flavio Felicio largou apenas em quarto na categoria, mas foi subindo aos poucos até liderar quarenta e sete voltas dentro da própria classe e fechar em sétimo lugar geral — o suficiente pra vencer a GT2 com folga. Quem tinha tudo pra fazer a pole-to-flag da categoria era Romain Francke: cravou a pole, a volta mais rápida e a melhor execução de ritmo da GT2, mas pagou caro em contatos e posições perdidas, terminando apenas em décimo terceiro geral depois de cair seis posições dentro da classe. Um fim de semana de provar que ritmo rápido sozinho não garante resultado.
O pódio geral ficou todo com a GT1: Fabio Santos, que chegou a liderar boa parte da corrida vindo do grid, segurou o terceiro lugar nos instantes finais, enquanto Marcelo Jaime e Raphael Souza fecharam logo atrás, em quarto e quinto, com corridas discretas e sem grandes sustos — Rodrigo Jaime completou o top seis da categoria. Na GT2, atrás de Flavio Felicio, Ale Frare garantiu o segundo lugar da classe numa corrida de muitas trocas de posição, Virgilio Bomfim completou o pódio da categoria sendo, de quebra, o piloto mais consistente de toda a prova, e Ronnie Peterson fechou o quarto lugar da GT2 depois de recuperar posições vindas do fundo do grid.
Do meio de pista pra trás, teve história pra todo lado. Marcelo Temes foi o nome mais envolvido em contatos com outros carros, enquanto Daniel Baiao levou o troféu de "o destruidor" da corrida, somando doze pontos de incidente. Douglas Carabette teve uma prova de altos e baixos, fechando em décimo quarto, e Andre Lourenco viveu a pior noite da GT1: largou em quinto e foi escorregando aos poucos até despencar para décimo quinto, a maior perda de posições do dia. Fernando Carabette teve a corrida mais sofrida sem nem perceber: caiu para décimo sexto logo na quarta volta e ficou preso ali pelo resto da prova, fechando a classificação geral com a pior consistência do grid. Do lado oposto de tanta confusão, Marcelo Jaime fechou como o piloto mais pacífico da noite, sem nenhum ponto de incidente registrado.
Primeira etapa encerrada, e o BPR já mostrou que não vai ser disputa qualquer: duas categorias, uma corrida só, e um final decidido nas últimas voltas. Curitiba deu o tom, agora é esperar o que Brasília reserva na próxima prova.










